Literatura Catarinense

Outro dia me dei conta que nunca ouvi a expressão Literatura Paulista, ou então Literatura Carioca ou Mineira. Por outro lado ouço com freqüência a expressão Literatura Catarinense. Primeiro concluí que, morando em Santa Catarina, seria natural ouvir falar com mais freqüência sobre a literatura do nosso estado, mesmo sem conhecer a fundo os nossos autores e as suas obras, mas não fiquei satisfeito com esta explicação. Resolvi recorrer ao Google e procurei pelo termo “Literatura Carioca”, “Literatura Paulista” e “Literatura Catarinense”. O número de respostas é surpreendente. Enquanto os primeiros dois termos têm, respectivamente, apenas 488 e 1.800 resultados, quando procurei por Literatura Catarinense, os resultados foram 8.670! Será que fazemos mais literatura em nosso estado ou tentamos criar, artificialmente, um conjunto de obras que poderiam ser categorizadas como genuinamente catarinenses?

Um fato curioso é que, mesmo os escritores que apenas nasceram em nosso estado e posteriormente fizeram carreira em outras partes do Brasil, acabam sendo enquadrados como escritores catarinenses, como é o caso do curitibano Cristóvão Tezza, que nasceu em Lages, mas mudou-se para Curitiba aos 10 anos de idade, em 1962. O escritor participou, em 2003, da IX edição do projeto Um Dedo de Prosa, idealizado pela Universidade Federal de Santa Catarina, com o objetivo de aproximar a academia com os escritores catarinenses.

Mas o que é a literatura catarinense? O que define um escritor e sua literatura como catarinense? Em Literatura Catarinense – em busca da existência, publicado na Revista Ciberarte em outubro de 2000, Fabio Eduardo Grünewald Soares faz uma análise marxista dos vários “tipos” de literatura que são produzidos por vários grupos em nosso estado, dividindo claramente uma possível produção de uma provável publicação. Em 2007 o escritor Renato Tapado publicou em seu site pessoal o artigo Literatura Catarinense: para que serve?, onde aborda também as questões de classe social, mas questiona também a necessidade de uma cadeira de Literatura Catarinense na universidade do estado, a UFSC. Já Viegas Fernandes da Costa, no artigo Notas sobre a Literatura Catarinense: Rocamaranha, publicado na Revista Espaço Acadêmico Nº45, em 2005, faz uma abordagem diferente à literatura catarinense, vendo a imigração como tema recorrente e terminando o artigo com uma breve análise do romance Rocamaranha, escrita por Almiro Caldeira e publicado em 1961 pela Editora Globo de Porto Alegre e reeditado pela EdUFSC em 2003. O romance conta a trajetória dos açorianos rumo ao novo continente, sua futura pátria.

Com a ajuda destes três artigos podemos começar a traçar uma “tentativa” de definição para a nossa literatura, ou então, voltamos a perguntar, emprestando o título do escritor Renato Tapado: “Para que serve uma literatura catarinense?”

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5 Comments

  1. Posted 20 08 08 at 11:04 | Permalink

    Aleph, a “literatura carioca” e a “literatura paulista” por serem mais expressivas assumem status de Literatura Brasileira. Coisa que não acontece com a “literatura catarinense”, resumida às aulas de literatura do curso de letras da UFSC.

  2. Posted 21 08 08 at 00:05 | Permalink

    Com sua resposta me dei conta: o artigo dá a impressão que eu acho que a literatura catarinense é mais expressiva, por isso aparece mais no Google? Esse não é o foco do post, pelo menos o que eu pretendia. E afinal, não é apenas pelo fato da literatura catarinense ser resumida às aulas de literatura do curso de letras da UFSC que os números do Google seriam inflados dessa forma, não achas?

    E a “literatura carioca” e a “literatura paulista”, sendo mais expressivas (e disso não há dúvida, a questão aqui é outra), não deveriam, antes mesmo de assumirem o status de Literatura Brasileira, aparecerem mais nos resultados de busca. O que achas?

  3. Posted 21 08 08 at 00:45 | Permalink

    então compa, na verdade quero dizer que a catarinense é inexpressiva (mesmo sendo ótima). antes de continuar nossa saudável discussão procure por “literatura brasileira” e veja a quantidade de respostas no google. e dessa quantidade quantos são escritores cariocas e paulistas… saca? influências e tal, rede globo… essas coisas.

  4. Posted 21 08 08 at 01:23 | Permalink

    Ah, mas não respondesse minhas perguntas. O lance são os artigos que linkei, você leu? São legais pra discussão. Tentamos criar uma literatura catarinense meio forçada, um conjunto de obras. Questionando a lógica da tua primeira resposta: a “Literatura Gaúcha” no Google tem 9.040 resultados, mais que a catarinense, e também é bem mais expressiva que a nossa. E também está muito mais dentro da Literatura Brasileira. Qual a explicação para isso? Você está entendendo o ponto que quero chegar? Não é qual a mais expressiva, são os números do Google. Acho que não apenas porque os escritores cariocas e paulistas (escritores, não literaturas) aparecem mais dentro da Literatura Brasileira que os termos “Literatura Paulista” e “Literatura Carioca” aparecem menos no Google, senão com a gaúcha também seria assim. Existe alguma peculiaridade nestes números, mais do que a expressividade de cada literatura.

  5. Posted 24 08 08 at 19:28 | Permalink

    o artigo do Viegas desperta uma idéia legal, de que a literatura catarinense é interessante apenas para os catarinenses, já que trata de histórias da terra, o que por sua vez reforça a idéia de uma literatura catarinense, e aí da pra levantar inúmeras interpretações para o termo “literatura catarinense”.

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