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	<title>Bruxismo</title>
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	<pubDate>Mon, 18 Aug 2008 15:42:37 +0000</pubDate>
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		<title>Literatura Catarinense</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Aug 2008 23:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia me dei conta que nunca ouvi a expressão Literatura Paulista, ou então Literatura Carioca ou Mineira. Por outro lado ouço com freqüência a expressão Literatura Catarinense. Primeiro concluí que, morando em Santa Catarina, seria natural ouvir falar com mais freqüência sobre a literatura do nosso estado, mesmo sem conhecer a fundo os nossos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia me dei conta que nunca ouvi a expressão Literatura Paulista, ou então Literatura Carioca ou Mineira. Por outro lado ouço com freqüência a expressão Literatura Catarinense. Primeiro concluí que, morando em Santa Catarina, seria natural ouvir falar com mais freqüência sobre a literatura do nosso estado, mesmo sem conhecer a fundo os nossos autores e as suas obras, mas não fiquei satisfeito com esta explicação. Resolvi recorrer ao Google e procurei pelo termo “<a href="http://www.google.com/search?hl=en&amp;rlz=1B3GGGL_enBR217BR217&amp;q=%22Literatura+Carioca%22&amp;btnG=Search" target="_self">Literatura Carioca</a>”, “<a href="http://www.google.com/search?hl=en&amp;rlz=1B3GGGL_enBR217BR217&amp;q=%22Literatura+Paulista%22&amp;btnG=Search" target="_blank">Literatura Paulista</a>” e “<a href="http://www.google.com/search?hl=en&amp;rlz=1B3GGGL_enBR217BR217&amp;q=%22Literatura+Catarinense%22&amp;btnG=Search" target="_blank">Literatura Catarinense</a>”. O número de respostas é surpreendente. Enquanto os primeiros dois termos têm, respectivamente, apenas 488 e 1.800 resultados, quando procurei por Literatura Catarinense, os resultados foram 8.670! Será que fazemos mais literatura em nosso estado ou tentamos criar, artificialmente, um conjunto de obras que poderiam ser categorizadas como genuinamente catarinenses?</p>
<p>Um fato curioso é que, mesmo os escritores que apenas nasceram em nosso estado e posteriormente fizeram carreira em outras partes do Brasil, acabam sendo enquadrados como escritores catarinenses, como é o caso do curitibano <a href="http://www.ciberarte.com.br/entrevista/tezza/index.php">Cristóvão Tezza</a>, que nasceu em Lages, mas mudou-se para Curitiba aos 10 anos de idade, em 1962. O escritor participou, em 2003, da IX edição do projeto Um Dedo de Prosa, idealizado pela Universidade Federal de Santa Catarina, com o objetivo de aproximar a academia com os escritores catarinenses.</p>
<p>Mas o que é a literatura catarinense? O que define um escritor e sua literatura como catarinense? Em <a href="http://www.ciberarte.com.br/literatura-catarinense-em-busca-da-existencia-por-fabio-eduardo-grunewald-soares.html"><em>Literatura Catarinense - em busca da existência</em></a>, publicado na <a href="http://www.ciberarte.com.br/">Revista Ciberarte</a> em outubro de 2000, <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4767998T2" target="_blank">Fabio Eduardo Grünewald Soares</a> faz uma análise marxista dos vários &#8220;tipos&#8221; de literatura que são produzidos por vários grupos em nosso estado, dividindo claramente uma possível produção de uma provável publicação. Em 2007 o escritor Renato Tapado publicou em seu site pessoal o artigo <a href="http://www.renatotapado.com/artigos/literatura-catarinense-para-que-serve/" target="_blank"><em>Literatura Catarinense: para que serve?</em></a>, onde aborda também as questões de classe social, mas questiona também a necessidade de uma cadeira de Literatura Catarinense na universidade do estado, a UFSC. Já Viegas Fernandes da Costa, no artigo <a href="http://www.viegasdacosta.hpg.com.br/prosa/rocamaranha.htm" target="_blank" rel="nofollow"><em>Notas sobre a Literatura Catarinense: Rocamaranha</em></a>, publicado na Revista Espaço Acadêmico Nº45, em 2005, faz uma abordagem diferente à literatura catarinense, vendo a imigração como tema recorrente e terminando o artigo com uma breve análise do romance Rocamaranha, publicado em 1961 pela Editora Globo de Porto Alegre e reeditado pela EdUFSC em 2003. O romance conta a trajetória dos açorianos rumo ao novo continente, sua futura pátria.</p>
<p>Com a ajuda destes três artigos podemos começar a traçar uma “tentativa” de definição para a nossa literatura, ou então, voltamos a perguntar, emprestando o título do escritor Renato Tapado: “Para que serve uma literatura catarinense?”</p>
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		<title>Além da Ilha</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Aug 2008 18:01:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[O Zé é meu amigo eremita, que mora lá no Morro das Pedras, em uma casa feita por ele mesmo. Não vê TV nem ouve rádio, mas lê vorazmente tudo que lhe cai nas mãos. Ele tem uma esquisitice que nunca consegui entender: apesar de aparentemente bem informado, acredita que o mundo se resume aos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Zé é meu amigo eremita, que mora lá no Morro das Pedras, em uma casa feita por ele mesmo. Não vê TV nem ouve rádio, mas lê vorazmente tudo que lhe cai nas mãos. Ele tem uma esquisitice que nunca consegui entender: apesar de aparentemente bem informado, acredita que o mundo se resume aos poucos lugares por onde ele caminha. Duvida até mesmo da existência do continente e acha que a Ilha de Florianópolis é a única coisa que existe. Se aparece algum estrangeiro ele afirma, irredutível: “Esse aí deve morar do outro lado da Ilha, mas eu não sabia que falavam outra língua por lá”.</p>
<p>Esses dias o Zé passou mal e tive que levá-lo com urgência ao hospital. Enquanto ele fazia uma careta de sofrimento e se agarrava ao banco do passageiro como um caranguejo, eu dirigia como um louco, furando vários sinais fechados no caminho. Como não tínhamos nem um centavo em nossos bolsos, eu precisava encontrar um hospital público para atendê-lo, mas todas as portas pareciam fechadas e só atendiam em caso de risco de morte. “É Zé, você precisa morrer para ser atendido”, arrisquei a piada mórbida quando deixamos o estacionamento do Hospital Universitário à procura de outro hospital. A última opção era o Hospital Regional de São José. Enquanto atravessávamos a ponte, avisei:</p>
<p>– Prepare-se, Zé, você vai finalmente conhecer o continente.</p>
<p>– Mentira! – ele ainda conseguiu grunhir incrédulo por baixo do seu sofrimento, antes de desmaiar.</p>
<p>Preocupado, corri o máximo que pude rumo ao hospital. Naquele estado, ele finalmente foi atendido com urgência no Regional de São José. Aplicaram um bom analgésico nele e trataram de fazer exames para avaliar sua condição. Descobriram que era cálculo renal e receitaram uns remédios, caso as dores retornassem. Levei-o para casa, ainda sob efeito dos remédios. Agora era fazer mais alguns exames e consultar um especialista. Já estávamos chegando novamente ao Morro das Pedras quando o Zé se recobrou. Olhou para mim satisfeito e falou:</p>
<p>– Rapaz, eu passei muito mal mesmo, teve uma hora que parecia que eu tava morrendo, a Ilha tava ficando pra trás e a gente tava sobrevoando o mar rumo ao infinito.</p>
<p>(<em>publicada no Plural do Notícias do Dia, 16/8/08. p.3</em>)</p>
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		<title>Palavras, objetos e literatura</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2008 00:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[
Em Métodos, Francis Ponge trata das palavras e dos objetos, com a mesma intimidade com a qual falamos do nosso vizinho desconhecido. Para Ponge, as palavras, estas mesmas que habitam os dicionários, podem ser íntimas ou completas estranhas, como aqueles estranhos dos quais lemos fofocas em revistas semanais baratas. Mas, quando são íntimas, estas palavras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-107" title="metodos-francis-ponge" src="http://bruxismo.ciberarte.com.br/wp-content/uploads/2008/08/metodos-francis-ponge.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>Em <em>Métodos</em>, Francis Ponge trata das palavras e dos objetos, com a mesma intimidade com a qual falamos do nosso vizinho desconhecido. Para Ponge, as palavras, estas mesmas que habitam os dicionários, podem ser íntimas ou completas estranhas, como aqueles estranhos dos quais lemos fofocas em revistas semanais baratas. Mas, quando são íntimas, estas palavras são promíscuas e falam demais, sujas e vulgares, nunca virgens ou puras. Mas quem falou que isso é ruim? Apenas os neologismos ou as palavras secretas e esquecidas, assim como os objetos sem nome, poderiam receber o status de puros e assim o poeta poderia criar a sua obra livre de influências temporais.</p>
<p>“[...] o que é uma linguagem? Senão um universo, como o outro, mas finito, que comporta menos objetos que o outros? (Vejam a linguagem das palavras: 20.000, 30.000 palavras, ele cabe inteirinho no dicionário.)” (p.86)</p>
<p>Você encontra o livro lá na <a href="http://ciadoslivros.com.br/book_details.asp?ProdId=AA9990" target="_self">Cia dos Livros</a>, com um ótimo desconto.<br />
Editora Imago<br />
160 páginas<br />
ISBN : 8531205824</p>
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		<title>Caminhos compartilhados</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Aug 2008 18:50:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A espécie humana pode locomover-se, grosso modo, com a ajuda de quatro dispositivos pessoais terrestres: automóveis, motocicletas, bicicletas e pés. Estas quatro categorias não costumam se relacionar muito bem e podem trabalhar pela extinção uma da outra.
O mais frágil de todos são os pés, seguidos das bicicletas e das motocicletas. Em acidentes envolvendo grupos diferentes, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A espécie humana pode locomover-se, grosso modo, com a ajuda de quatro dispositivos pessoais terrestres: automóveis, motocicletas, bicicletas e pés. Estas quatro categorias não costumam se relacionar muito bem e podem trabalhar pela extinção uma da outra.</p>
<p>O mais frágil de todos são os pés, seguidos das bicicletas e das motocicletas. Em acidentes envolvendo grupos diferentes, os pés costumam ser apontados como um dos principais culpados, apesar de estarem restritos a trechos muito menores para se locomover, em comparação com os automóveis e motocicletas. Os automóveis são dispositivos pesados envolvidos por uma couraça metálica que os protege em caso de colisões com algum dos outros três dispositivos. O problema é quando os automóveis colidem entre si, ou quando encontram pela frente uma barreira mais sólida do que eles, como objetos de concreto, árvores ou então outro dispositivo robusto como um caminhão.</p>
<p>Em alguns locais do planeta as bicicletas ainda são praticamente ignoradas e relegadas a raros caminhos por onde podem circular suas rodas emborrachadas e não poluentes. Seus predadores naturais, assim como os pés, são os automóveis. Este fato poderia indicar uma união natural entre estas duas categorias mais frágeis, mas não é o que acontece. Apesar de viverem em aparente paz, bicicletas e pés costumam amaldiçoar-se quando ocorre algum encontrão entre os dois e não se unem para melhorar suas situações.</p>
<p>Motocicletas e automóveis também não costumam sorrir alegremente um para o outro em nossas ruas movimentadas. Os primeiros reclamam da folga dos segundos, que trafegam entre os automóveis. Por outro lado os automóveis também não respeitam as motocicletas, achando que elas estão ocupando espaço demais à sua frente, quando andam corretamente. Estes dois dispositivos motorizados e bebedores de combustíveis fósseis também costumam ignorar as faixas de segurança, caminho natural dos pés, que são vilões quando ignoram estas faixas e não são respeitados quando reivindicam o seu direito natural de utilizá-las.</p>
<p>E assim, os humanos se locomovem sobre seus pés ou suas rodas, esperando que o outro não corte a sua frente e seu caminho seja respeitado e, sobretudo, que possam obedecer seus horários.</p>
<p>(<em>publicada no Plural do Notícias do Dia, 9/8/08. p.3</em>)</p>
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		<title>Datas comemorativas</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 01:35:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Quando viemos morar aqui e descobrimos a voz das crianças no colégio em frente, brincando nos intervalos das aulas, ficamos felizes. Afinal, quem não gosta de ouvir crianças se divertindo, não é verdade? Mesmo quando suas vozes são estridentes ou desafinadas, a alegria delas é contagiante. Era o que pensávamos no início.
Nunca fui muito de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando viemos morar aqui e descobrimos a voz das crianças no colégio em frente, brincando nos intervalos das aulas, ficamos felizes. Afinal, quem não gosta de ouvir crianças se divertindo, não é verdade? Mesmo quando suas vozes são estridentes ou desafinadas, a alegria delas é contagiante. Era o que pensávamos no início.</p>
<p>Nunca fui muito de datas comemorativas, mas agora fica difícil esquecer. Páscoa, Dia das Mães, festas juninas, Dia dos Pais, Sete de Setembro, Dia das Crianças e todas as outras datas possíveis e impossíveis. Sempre com uma ou duas semanas de antecedência as crianças começam a ensaiar as músicas para comemorar alguma dessas datas e não economizam na voz.</p>
<p>Outro dia encontramos nossa vizinha no corredor do prédio e conversávamos com ela sobre o barulho do bar da esquina, outro que gosta de exagerar no som, mas no horário noturno. É claro que não queríamos parecer rabugentos falando mal do colégio, mas ela interrompeu a conversa e desabafou:</p>
<p>– E estas crianças, que fazem questão de nos acordar às 7h30 da manhã, cantando sempre a mesma música? Quando pensamos que vão nos dar uma folga, que poderemos descansar, surge um aniversário ou outra data extraordinária para comemorar. Chegam a voltar das férias com antecedência para ter tempo de ensaiar melhor a mesma música, durante a manhã e a tarde, como acontece agora com o dia dos pais. Não consigo nem tirar o meu cochilo da tarde. Ah, eu que não vou colocar os meus netos para estudar neste colégio!</p>
<p>Mas decidimos não fazer uma reunião de condomínio para propor um abaixo-assinado solicitando que eles coloquem um isolamento acústico no colégio, pois as crianças costumam cantar no pátio ao ar livre e não ficaria bem uma enorme redoma, como um aquário ao redor delas. O máximo que podemos fazer é ficar torcendo para que chova nos dias de ensaio ou, em último caso, comprar aqueles tapa-ouvidos de segurança utilizados por trabalhadores de equipamentos pesados como britadeiras.</p>
<p>(<em>publicada no Plural do Notícias do Dia, 2/8/08. p.3</em>)</p>
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		<title>Folhetos e panfletos</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 19:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O Centro de Florianópolis foi infestado pelos entregadores de folhetos de propaganda e panfletos eleitorais. Eles já são muito mais numerosos do que as latas de lixo, por isso grande parte dos papéis acaba no chão, a meio caminho entre o seu destino e a paciência de quem os recebeu sem solicitar. Se você quiser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Centro de Florianópolis foi infestado pelos entregadores de folhetos de propaganda e panfletos eleitorais. Eles já são muito mais numerosos do que as latas de lixo, por isso grande parte dos papéis acaba no chão, a meio caminho entre o seu destino e a paciência de quem os recebeu sem solicitar. Se você quiser evitar os folhetos, pode tentar ser rude com os entregadores, que não fazem mais do que o trabalho deles. Ou, então, pode optar por um trajeto tortuoso, que desvie por trás dos entregadores. O problema é quando eles se aglomeram, para ter certeza que nenhum pedestre fique sem o seu folhetinho. É uma verdadeira operação de guerra que eles empreendem, e você acaba entrando na batalha também, para se livrar deles. Um outro método que funciona quando o braço estendido com o folheto interrompe a sua passagem, é responder educadamente: “Não, obrigado”. Geralmente os entregadores são pegos de surpresa com essa reação, mas você não pode ter certeza que o método é imbatível.</p>
<p>Precisei ir ao edifício Dias Velho consertar meus óculos. Lá é um paraíso de molas, parafusos e todo tipo de peça de reposição para óculos e relógios. Como estava na Praça XV, resolvi me arriscar a atravessar o calçadão da Felipe Schmidt, um dos habitats naturais dos entregadores de folhetos. Respirei fundo e entrei no campo de batalha. A caminhada foi tensa e fui abordado por algumas centenas de folheteiros, dos quais consegui me desvencilhar com maestria. Passei por uma pequena aglomeração deles incólume, na esquina com a rua Deodoro. Depois disso, consegui avançar sem maiores problemas.</p>
<p>Invicto, livre dos folhetos, estava quase chegando à entrada do Dias Velho, satisfeito com a minha façanha. Então, uma sorridente senhora surgiu em meu caminho. Quando tentei me desviar, ela me estendeu a mão com um panfleto e eu o peguei tão naturalmente, desarmado de minhas artimanhas&#8230; Quando me recobrei, já no hall do edifício, estava olhando para um panfleto de propaganda política. “Fraquejei e fui derrotado”, pensei com tristeza. Já era hora de rever o meu treinamento de guerra.</p>
<p>(<em>publicada no Plural do Notícias do Dia, 26/7/08. p.3</em>)</p>
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		<title>Lei Seca</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 18:47:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Todos estão apavorados com a lei seca. Alguns bares já estão até pagando motoristas que levam clientes para casa. Noutro dia, no meio da tarde, um amigo resolveu beber uma cervejinha no boteco e acabou se livrando do bafômetro por uma simples confusão.
Depois de beber alguns copos a mais ele resolveu ir para casa, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos estão apavorados com a lei seca. Alguns bares já estão até pagando motoristas que levam clientes para casa. Noutro dia, no meio da tarde, um amigo resolveu beber uma cervejinha no boteco e acabou se livrando do bafômetro por uma simples confusão.</p>
<p>Depois de beber alguns copos a mais ele resolveu ir para casa, mas ficou desesperado quando percebeu que seu carro havia desaparecido da frente do bar. Perguntou nervoso ao dono do bar se ele não havia percebido nada de estranho e o homem respondeu negativamente. Então meu amigo ligou para a polícia e deu queixa do roubo do carro. Já conformado com a situação, ele foi embora a pé e só então lembrou que havia deixado o carro estacionado em outra rua.</p>
<p>Aliviado, abriu o carro e foi verificar se estava tudo em ordem. No momento em que girou a ignição, duas viaturas policiais chegaram com as sirenes ligadas e pediram para que ele saísse do carro com as mãos para cima. Ele saiu satisfeito e dando os parabéns aos policiais: “vocês são muito eficientes, mas não se preocupem, o carro é meu”. Os policiais se entreolharam e não entenderam o seu comportamento. Pediram os seus documentos. Enquanto vasculhava os bolsos à procura da sua carteira, ele voltou a informar que o carro era seu, que havia sido um engano, que o carro não havia sido roubado. Por fim, informou que esqueceu os documentos em casa, mas que morava perto e poderia buscá-los. Um dos policiais o acompanhou no carro, enquanto as viaturas o seguiam. Dentro do veículo ele falou ao policial que havia bebido, e se esta ocorrência não seria um problema com a nova lei. Mas o policial o tranqüilizou, já que eles estavam atendendo um chamado de roubo, e não de embriaguez.</p>
<p>Tudo confirmado, documentos em ordem e ele liberado. Depois desse susto, com certeza ele vai pensar duas vezes antes de sair de carro para beber, ou então, no mínimo, vai tomar um bom remédio para a memória.</p>
<p>(<em>publicada no Plural do Notícias do Dia, 19/7/08. p.3</em>)</p>
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		<title>Por que respirar?</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jul 2008 23:59:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aleph Ozuas</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Em uma pesquisa ultra-secreta na Inglaterra, um grupo de 100 voluntários tentou prender a respiração durante o maior tempo possível, mas o máximo que um dos voluntários conseguiu foi um minuto sem respirar. Então, em uma nova bateria de testes, os cientistas colocaram estes mesmos voluntários em uma câmara vedada e fecharam o fornecimento de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma pesquisa ultra-secreta na Inglaterra, um grupo de 100 voluntários tentou prender a respiração durante o maior tempo possível, mas o máximo que um dos voluntários conseguiu foi um minuto sem respirar. Então, em uma nova bateria de testes, os cientistas colocaram estes mesmos voluntários em uma câmara vedada e fecharam o fornecimento de oxigênio ou qualquer outro tipo gasoso. Cinco voluntários desmaiaram antes de completar os sessenta segundos. Percebeu-se então que o vício da respiração, como o vício em qualquer outra substância, como os narcóticos, o álcool e até mesmo o cigarro, causava sérios danos quando cortado abruptamente. A dependência pode causar efeitos devastadores sobre a vontade do indivíduo. Quem já se aventurou a fazer qualquer exercício físico ou mesmo uma caminhada mais longa, percebe a necessidade de respirar de forma ofegante, com aquela expressão de satisfação enquanto o ar invade seus pulmões.</p>
<p>Respirar é reconfortante e acabamos aceitando este vício de forma tão aberta e inquestionável que não nos envergonhamos ou questionamos a sua real necessidade. Talvez pela facilidade de conseguir uma boa respirada, pela ausência de atravessadores, de impostos, de um mercado paralelo (por enquanto) que nos forneça a dose diária para nossa satisfação.</p>
<p>Esta pesquisa na Inglaterra, uma entre tantas que já foram empreendidas e esquecidas em diversos centros científicos ao redor do globo, vem em um momento dos mais importantes para a nossa permanência no planeta. Se não acabarmos com esse vício, nas próximas décadas seremos reféns de grupos comerciais que venderão ar respirável e engarrafado para poder substituir nossa atmosfera que está sendo alterada pelo bom progresso das nossas indústrias, dos nossos automóveis e até mesmo pela alcatra e pelo filé mignon. Pois já é comprovado que os quadrúpedes e ruminantes, antes de se tornarem aquele belo e saboroso bife, são os campeões da flatulência e expulsam seus gases corporais pela saída da retaguarda com tamanha habilidade que esses gases habitam mais a atmosfera do que os expelidos pelos nossos bons automóveis.</p>
<p>E é nessa encruzilhada em que nos metemos: cancelamos o churrasco e o progresso ou começamos a armazenar ar puro engarrafado na despensa?</p>
<p>(<em>publicada no Plural do Notícias do Dia, 12/7/08. p.3</em>)</p>
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