Em Outubro o cineclube SOPÃO DE FILMES traz 2 médias metragens delineados por represas hidroelétricas. O tema, presente nos dois documentários diametricamente opostos em termos de estilo e perspectiva, se manifesta na coincidência das consequências: reais ou imaginadas, ambas alertam para uma extinção, um fim.
“Dyckias - Tempos de Extinção” de Iur Gomez (Fpolis, SC) aborda os resultados ecológicos e sociais da implantação da usina hidroelétrica Barra Grande no Vale do Rio Pelotas, fronteira de SC com RS.
Já o inusitado “Quando o Rio Sonha” (Cuando El Rio Sueña) de Verónica Rocha (Córdoba, Argentina) reconta as reações absurdas de uma pequena cidade quando um apocalíptico boato inunda o imaginário da população. Como sempre, uma sopa vai deixar a sessão submersa em bons filmes e boa conversa.
Dyckias - Tempos de Extinção
Direção e Roteiro: Iur Gomez e Jonas Edson Pinto.
Documentário, 52 min, 2007, Fpolis, SC
Cuando El Río Suena (Quando o Rio Sonha)
de Verónica Rocha.
Documentario, 42 min, 2003, Cordoba, Argentina
Seja bem vindo!
O quê:
cineclube SOPÃO DE FILMES apresenta: “A Represa e o Fim do Mundo”
Quando:
Domingo, 26/10, 19:30
Quanto:
Entrada franca, com doação sugerida de R$ 1
Onde:
Espaço Cultural Pomar das Artes
R. Antonio Carlos Ferreira, 418 - Agronomica
(inicio do Morro do Horacio, mesma rua do posto Angeloni beira-mar)
Contato:
Sopao.De.Filmes@gmail.com
(48) 9941-2714
www.SOPAOdeFILMES.blogspot.com.br

A partir de pesquisas desenvolvidas no NELOOL (Nucleo de Literatura, Oralidade e Outras Linguagens) na área das oralidades midiáticas, o grupo de pesquisadores abaixo relacionados começou a pensar um modo de criar uma prática artística híbrida com a poesia e a imagem.
Se você procurar em torno do prédio talvez encontre alguma coisa, mas duvido muito, ontem mesmo eu verifiquei tudo. Minha filha pediu pra eu catar umas sementes daquele abacateiro, falou que o professor queria fazer uns trabalhos de colagem, mas você sabe, o gás vai aumentar, leu no jornal? Pois então, eu tava pensando em converter meu carro, mas estou com medo daquele venezuelano. Nem me fale nisso, como é que dizem lá em cima mesmo? Qual o teu nome afinal? Também não precisa ficar nervoso, eu havia escavado bem aqui embaixo da minha mesa, percebeu? Esse cheiro é do barro vermelho, veja que interessante, as minhocas grudam que é uma maravilha, dizem que elas adoram e traciona bem. Agora, quando chove é um desespero pras oligochaetas, porque são não-anfíbias, preste atenção neste detalhe! Nada como um bom anzol nessas horas, coço meu pé só de pensar, dá vontade de sair correndo e lançar a linha ali do morro, sacudir o chão com aquele rapaz olhando pelas frestas da janela, pulando no mar, agarrando o pescoço do Ferdinando, que já estava dormindo, amarrado às cadeiras, agitando barbantes longos, tristes linhas horizontais. Seu grande jumento, saia do meio da rua, com seu instrumento de metal e vidros, triturando e produzindo toda essa poluição desmedida! Pense na família reunida com o rio correndo embaixo das camas, os homens vestidos de bolas de boliche, pois nem todos têm a coragem de levantar da cadeira e rodar, só porque amarram os caniços.
Estava aguardando o ônibus lá no Ticen, e dois motoristas conversavam. O primeiro solta uma baforada e pergunta: